Manual Explica: Cálculo de Rampas

(Patio Bella Vista, Santiago – Chile)

Nas ultimas décadas a acessibilidade tem sido uma temática bastante abordada e motivo de preocupação constante nos projetos arquitetônicos e urbanísticos. Este é considerado um fator de grande importância para a estrutura urbana, já que, ser acessível não é apenas permitir que pessoas com necessidades especiais ou de mobilidade reduzida possam se deslocar de um local para outro, como também possam permitir uma vivência completa ao participar de atividades que incluam serviços, produtos e informação de forma que haja, da melhor forma, a adaptação para a sua melhor locomoção.

De acordo com o Censo realizado pelo IBGE em 2015, 6,2% da população brasileira possui algum tipo de deficiência, dentre elas a auditiva, visual, física e intelectual. Sendo que, dentre essas, a visual é a mais representativa, atingindo 3,6% dos brasileiros, sendo mais comum em pessoas com mais de 60 anos. A pesquisa do IBGE mostra também que 1,3% da população tem algum tipo de deficiência física.

O cálculo de rampas para calçadas e edificações é normatizado pela NBR 9050, que você pode fazer o download aqui. Por mais que pareça ser simples, é sempre bom relembrar como deixa-la dentro das normas para que esta seja adequada a utilização daqueles que precisam.

DIMENSIONAMENTO

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Primeiramente, é necessário definir o significado de rampa de acordo com a NBR 9050: Rampa: Inclinação da superfície de piso, longitudinal ao sentido de caminhamento. Consideram-se rampas aquelas com declividade igual ou superior a 5%.

A fórmula principal que guia todo o cálculo da rampa é:

Onde cada letra significa:

i = inclinação da rampa em porcentagem;
h = altura do desnível;
c = comprimento da projeção horizontal;


(Imagem retirada da NBR 9050, p.50)


CALCULANDO:
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1. Qual o comprimento que uma rampa precisa para vencer o desnível de 20cm com a inclinação de 8%?

Passo a passo:

a) Substituir cada incógnita da fórmula pelos valores dados:

i = 8%;
h = 20cm ou 0,20m;
c = incógnita a ser descoberta;

b) Fazer o cálculo:

8 = 0,20 x 100 / c
8c = 20
c = 20/8
c = 2,5m

Assim, para um desnível de 20cm, é necessária uma rampa com um comprimento total de 2,5m.

Quanto maior a altura a ser vencida, mais suave a rampa precisa ser, sem deixar de seguir a porcentagem de inclinação definida pela NBR 9050, no qual, o limite máximo de inclinação é de 8,33% (proporção de 1:12).


2. Calcule porcentagem necessária para uma rampa vencer um desnível de 30cm, sabendo-se que apenas se tem um espaço de 3,60m de comprimento.

Passo a passo:

a) Substituir cada incógnita da fórmula pelos valores dados:

i = incógnita a ser descoberta;
h = 30cm ou 0,30m;
c = 3,60M

b) Fazer o cálculo:

i = 0,30 x 100 / 3,60
i = 30/3,60
i = 8,33%

Assim podemos perceber que o comprimento de 3,60m para vencer os 30cm de altura é o suficiente para ser feita uma rampa sem ultrapassar o limite máximo de inclinação de 8.33% definido pela NBR 9050.


INCLINAÇÃO

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A NBR 9050 recomenda que seja prevista uma área de descanso a cada 50m de rampa, fora da área de circulação, caso o piso tenha até 3% de inclinação OU a cada 30m para pisos de 3% a 5% de inclinação. Para inclinações entre 6,25% e 8,33%, de acordo com a NBR 9050, devem ser previstas áreas de descanso nos patamares, a cada 50m de percurso, de acordo com a tabela a seguir.

(Tabela retirada da NBR 9050, p.50)

Entretanto, em casos excepcionais, quando, em reformas, não houverem mais possibilidades de solucionar os problemas de acordo com as normas citadas anteriormente, podem ser utilizadas inclinações superiores a 8,33% (1:12) até 12,5% (1:8), conforme tabela 6 da NBR 9050:

(Tabela retirada da NBR 9050, p.50)

LARGURA

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Os patamares devem possuir uma largura de 1,50m para ser acessível, sendo o mínimo admissível de 1,20m. No início e no término da rampa devem ser previstos patamares com dimensão mínima de 1,50m, assim como a largura da rampa, além da área de circulação adjacente.

(Tabela retirada da NBR 9050, P. 52)




As rampas ainda precisam ter sinalização com piso tátil para deficientes visuais, corrimão duplo e piso antiderrapante. Todos essas itens também são regidos pela NBR 9050. Apesar de ter um custo de construção, que muitas vezes afugenta principalmente os comerciantes, as rampas de acesso precisam ser cada vez mais incluídas nos projetos arquitetônicos, e a sociedade precisa ter a consciência de que a cidadania é para todos. Um espaço acessível, além de socialmente correto, atrai um público que só quer uma coisa: conseguir se locomover com a maior autonomia possível. Pensemos nossas cidades para todos!


Além disso, as rampas também necessitam de corrimão duplo, sinalização com piso tátil para deficientes visuais e piso antiderrapante. Todas essas regras vocês podem encontrar completas na NBR 9050, podendo fazer o download gratuito aqui.
Lembrem sempre que as rampas, apesar do custo, precisam ser incluídas nos projetos arquitetônicos e urbanísticos, já que todos devem ter os mesmos direito a acessibilidade e a chance de se locomover com a maior autonomia possível. Pense sempre no conjunto, na cidadania e no socialmente correto, não façam projeto para uma parcela da sociedade, façamos projetos para todos.

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Manual do Arquiteto

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