Urbanismo: Pré-Urbanismo Progressista


    A revolução industrial, devido ao desenvolvimento urbano e ao progresso com suas novas tecnologias e oportunidades de emprego, foi seguida por um grande crescimento demográfico nas cidades. A população, que antes vivia em sua grande maioria no campo, passou a morar na cidade, fazendo com que a população de cidades como Londres crescesse significativamente em poucas décadas.

    A mudança dos meios de transporte e produção, além de novas funções urbanas contribuíram para a criação de uma nova ordem. No entanto, esta ordem era favorável aos donos de indústria e prejudicial a classe mais pobre. O proletariado urbano vivia em condições sub-humanas, sem acesso a rede de esgoto, água potável, casas insalubres, distante do local de trabalho e sendo obrigado a trabalhar durante mais horas do que seria devido.

    Os pré-urbanistas progressistas, intelectuais da época, acreditavam que mesmo vivendo em uma época de progresso, as invenções modernas e o desenvolvimento da ciência, artes técnicas e mecânica, sob as mãos da sociedade individualista e alienada, era uma das principais propagadoras da pobreza da parte mais modesta da sociedade.

    As mudanças que a revolução industrial trouxe, estimulou os intelectuais a criarem modelos urbanos com o propósito de melhorar a cidade e a sociedade em que viviam. Os pré-urbanistas progressistas acreditavam que para que houvesse uma sociedade menos alienada, sem ser voltada apenas para a economia capitalista, ou apenas movida pela exploração e lucro, e mais igualitária e sem rivalidade de classes, era necessário que a cidade fosse organizada de uma forma mais racional. 

  A oposição dos intelectuais com a cidade industrial trouxe reflexões e propostas de ordenamentos urbanos, chamados de “modelos”. Estes modelos progressistas têm como principais criadores Owen, Fourier, Richardson, Cabet e Proudhon. Mesmo possuindo obras tão diferentes, esses autores tem em comum a concepção do homem e da razão que determina as propostas relativas a cidade. É compartilhado por eles também as criticas quanto a alienação da sociedade e a solução dos problemas utilizando a relação dos homens entre si e com o meio, pelo uso do racionalismo, ciência e técnicas.

    A ideia dos progressistas era criar um modelo que fosse suscetível de aplicar-se a qualquer população, em qualquer época e em qualquer lugar. Mesmo os modelos sendo diferentes, pode-se reconhecer algumas características que possuem em comum, dentre elas podemos citar espaços abertos e amplos, rompidos por vazios e verdes para a manutenção da higiene. O ar, a luz e a água sendo igualmente distribuídos e a divisão e distribuição do espaço classificadas de acordo com as funções humanas. Em seus projetos, a cidade deveria ser dividida de forma mais racional, em que houvesse espaço apropriado para as novas concentrações populacionais, para as fábricas, para a produção agrícola, para o comércio e outros.

    Mesmo havendo tanta importância o racionalismo para os pré-urbanistas progressistas, estética também tinha a sua importância e o seu papel em sua ordem, no entanto, a estética era igualmente influenciada pelo racionalismo dos progressistas, sendo assim, uma beleza mais austera, onde são combinadas a lógica e a beleza.

    Cada intelectual propunha organizações e projetos diferenciados. Em seu projeto, por exemplo, Robert Owen previa cidades quadriculadas em que cada quadrado poderia receber 1200 pessoas, cada quadrilátero teria uma edificação que alojaria as pessoas da cidade. Diferente de Owen que propunha a organização da cidade em círculos concêntricos, em que cada um teria uma utilidade, podendo ser a área industrial, residencial ou agrícola.

    Os modelos propostos pelos intelectuais são de difícil, se não impossível, aplicação. Mesmo notando-se a boa vontade e intenção destes em melhorar a situação da cidade e a sociedade em que nela vive, a rigidez dos projetos com todos os seus detalhes precisos e específicos que não deixam espaço para mudanças e adaptações chegam a ser limitadores e repressivos.

   Cada um dos modelos é exposto com detalhes rígidos, chegando a especificar distâncias entre edificações, modelos de habitação coletiva, setorização dos bairros de acordo com as funções, modelos de escolas e hospitais entre outros. Como disse o próprio Robert Owen “É chegado o tempo em que todas as nações do mundo, em que os homens de todas as raças e de todos os climas devem ser levados a esse gênero de conhecimento. Haverá uma só linguagem e uma só nação.” (OWEN apud CHOAY,1979, p. 63).

    A divisão de áreas por função nestes modelos até lembra um pouco a organização de Brasília, com sua divisão por setores. No entanto, percebe-se que tal divisão causa grandes transtornos quando o ponto falado é a locomoção. Em um meio urbano atual como o nosso, com diversos tipos de meios de transporte, ainda é um tanto complicado para se locomover de uma área da cidade até a oposta, sendo que, nossos meios de transporte não são os mais adequados e não tem quase nenhum tipo de ligação entre eles. Sendo complicado em uma sociedade tão evoluída tecnologicamente como a atual, a locomoção nos séculos XVIII e XIX seria quase exaustiva, já que eles não possuíam a mesma tecnologia que a de hoje em dia.



Referências:

CHOAY, Françoise. O Urbanismo: Utopias e realidade. Ed. 5. São Paulo: Editora Perspectiva S.A., 2000. 349 p. 


Manual do Arquiteto

2 comentários:

  1. Muito bom! Mas esse capítulo tá confuso:

    Cada intelectual propunha organizações e projetos diferenciados. Em seu projeto, por exemplo, Robert Owen previa cidades quadriculadas... Diferente de Owen que propunha a organização da cidade em círculos concêntricos...

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